• Dr. Rafael Noronha Cavalcante

Embolização de Próstata

A hiperplasia prostática benigna ou HPB é o tumor benigno mais comum da próstata. Trata-se de uma doença benigna de alta prevalência, acometendo mais de 50% dos homens acima de 70 anos de idade. A HPB tem como fatores de risco principais a idade avançada e a testosterona (o principal hormônio sexual masculino).


Durante a vida de um homem, estima-se que ele tenha 30% de chance de necessitar de tratamento clínico (medicamentoso) pelos sintomas decorrentes do aumento prostático e 10% de chance de ter que se submeter à cirurgia.


Os sintomas provocados pela HPB podem comprometer significativamente a qualidade de vida do homem que sofre dessa doença e, por conseguinte, dos familiares que convivem com ele. Dentre os principais sintomas urinários relacionados a HPB destacam-se:


1 - Jato urinário fraco.

2 - Demora e dificuldade para urinar.

3 - Esforço miccional (esforço para iniciar a excreção da urina).

4 - Interrupção da micção (o jato interrompe antes de acabar a urina).

5 - Aumento da quantidade de vezes que o homem vai urinar – sobretudo à noite (levanta várias vezes à noite para urinar).

6 - Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga (após acabar de urinar ainda fica com a sensação que tem urina na bexiga).

7 - Urgência para urinar (quando dá vontade de urinar precisa sair correndo pois há sensação que irá urinar nas calças).


De uma maneira resumida, podemos dividir os tratamentos da HPB em medicamentoso, cirúrgico e embolização das artérias prostáticas:

Tratamento medicamentoso:


É utilizado para 80% dos homens que sofrem de HPB. Consiste na ingestão de comprimidos, como alfa-bloqueadores (bloqueiam o efeito adrenérgico na próstata, relaxando a musculatura lisa e melhorando os sintomas) e inibidores da enzima 5-alfa-redutase (reduz o efeito do hormônio testosterona sobre a próstata promovendo redução do tamanho da próstata e melhora dos sintomas).

Tratamento cirúrgico:


É utilizado para 20% dos homens que têm sintomas decorrentes da HPB, usualmente naqueles pacientes em que a medicação não atingiu o efeito desejado ou que possuem complicações decorrentes da HPB. As abordagens mais frequentes são a ressecção transuretral da próstata (RTU)e a prostatectomia transvesical (PTV), mas outros métodos podem estar disponíveis para casos específicos, como Greenlight, Rezum ou Urolift.


Embolização das artérias prostáticas:


A embolização das artérias prostáticas (EAP) ou embolização da próstata é um procedimento minimamente invasivo que tem como objetivo induzir, propositalmente, a interrupção do fluxo sanguíneo para a próstata, fazendo com que ela diminua de tamanho e melhore total ou parcialmente os sintomas decorrentes da HPB. A EAP é um procedimento moderno, cuja segurança e eficácia já foram comprovadas em diversos estudos clínicos realizados no Brasil e no exterior.


O procedimento é realizado por meio de cateterismo. Inicialmente o acesso é feito por punção da artéria femoral, na virilha, ou da artéria radial, no punho. O cateter é progredido até as artérias prostáticas, que nutrem a próstata e então é realizada a embolização, que é a injeção de pequenas partículas esféricas visando ocluir os vasos que irrigam o órgão.


As vantagens da embolização da próstata são:

  • Caráter minimamente invasivo, por cateterismo, sem necessidade de uma cirurgia de maior porte

  • Bons resultados no controle dos sintomas: espera-se que mais de 80% dos pacientes apresentem melhora dos sintomas

  • Menor tempo de internação: usualmente o paciente recebe alta algumas horas após o procedimento, sem necessidade de pernoitar no hospital

  • Menor tempo de recuperação para retornar às atividades habituais

  • Baixa incidência de complicações




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